Alguns poemas parecem simples à primeira leitura, mas carregam uma sabedoria que atravessa gerações. É o caso de “Aninha e suas pedras”, um dos textos mais conhecidos da poetisa brasileira Cora Coralina.
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Nascida em 1889, na cidade histórica de Goiás, Cora Coralina — pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas — tornou-se uma das vozes mais singulares da poesia brasileira. Durante grande parte da vida, escreveu discretamente enquanto trabalhava como doceira e cuidava da família. Seu reconhecimento literário veio apenas na velhice: seu primeiro livro, Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais, foi publicado quando ela tinha 76 anos. A obra revelou ao público uma poesia profundamente ligada à memória, à vida cotidiana e à dignidade das pessoas simples.
Dentro desse universo poético nasce “Aninha e suas pedras”, obra que se tornaria uma das mais citadas e compartilhadas da autora. O poema retoma a figura de “Aninha” — alter ego da própria poeta — para falar sobre a capacidade humana de transformar obstáculos em matéria de criação e de recomeço.
As “pedras” do caminho, longe de serem apenas impedimentos, tornam-se elementos de construção: com elas se levantam jardins, poemas e novas possibilidades de vida.

Ao longo das décadas, o poema ganhou grande circulação em livros didáticos, antologias e, mais recentemente, nas redes sociais, tornando-se uma espécie de síntese da mensagem que atravessa a obra de Cora Coralina: a valorização da experiência vivida, da perseverança e da beleza escondida nas coisas simples.
Mais do que um conselho, o poema é um convite. Um convite a olhar para as dificuldades não como fim, mas como matéria de transformação. É com esse espírito que apresentamos, a seguir, “Aninha e suas pedras”…
Aninha e suas pedras
Não te deixes destruir…
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.
Cora Coralina em Melhores poemas seleção e apresentação Darcy França Denófrio. 3ed. rev. e ampliada – São Paulo: Global, 2008. pg 243
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