A vontade de viver
Por Arthur Schopenhauer*
“É muito necessário demonstrar isto, já que todos as filósofos que me precederam (…) fazem consistir a essência do homem e, de certa maneira, seu centro, na consciência cognitiva: todos concebem o Eu (ao qual muitos atribuem uma hipóstase transcendente que chamam “alma”) como dotado essencialmente de conhecimento e de pensamento e, somente depois, de forma secundária e derivada, o consideram dotado de Vontade. Esse antigo erro (…) deve ser desmascarado (…) [e] poderia ser aplicado em parte, sobretudo, nos filósofos cristãos, porque todos eles tendiam a estabelecer a maior distância entre o homem e o animal e, paralelamente, entendiam de maneira vaga que essa diferença está na inteligência, não na Vontade. Assim (…) surgiu neles a tendência de fazer da inteligência o essencial e até de representar a Vontade como mera função da inteligência.
A consequência desse erro é a seguinte: sendo notório que a consciência cognitiva é aniquilada com a morte, os filósofos devem admitir que a morte é ou o aniquilamento do homem, hipótese contrária pela qual se resolve nossa convicção interna, ou a duração dessa consciência; mas para aceitar essa ideia é necessária uma fé cega, pois cada um de nós pode convencer-se, por experiência própria, de que a consciência está em completa e absoluta dependência do cérebro e de que é tão difícil conceber uma digestão sem estômago quanto um pensamento sem cérebro. Desse dilema não se pode sair senão pelo caminho que indico na minha filosofia, que é a primeira a colocar a essência do homem não na consciência, mas na Vontade, que não se encontra necessariamente ligada à consciência. (…) Assim, compreendidas essas coisas, chegaremos a convicção de que essa medula, substância íntima, é indestrutível, apesar do aniquilamento certo do consciência com a morte e apesar de sua não-existência antes do nascimento. A inteligência é tão perecível quanto o cérebro, do qual é produto, ou melhor, função. Mas o cérebro, como todo organismo, é o produto ou fenômeno da Vontade, que é a única imortal.”
*SCHOPENHAUER, Arthur, O mundo como Vontade e representação. vol. 1, cap. XVIII.
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